Eu ainda sou brasileiro
by duh on March 24, 2011
Casey Heines é seu herói, e os motivos que o tornaram são os mesmos que você aflige quando o chama de Zangief Kid. Provavelmente, as mesmas pessoas que assim o chamam descobriram na mesma semana a lei Rouanet. Juniores, eles chamam. Criam um evento no Facebook para protestar. É difícil escrever algo assim e não soar pedante, dono da razão, mas o exercício é necessário, uma vez que para identificar este comportamento, basta apenas isto: pensar. E isto sai dos dedos de quem criou o evento do fim do mundo, seguindo orientações milenares da cultura Maia (que eu aprendi assistindo arquivo X).
Pensar anda meio obsoleto, creio eu. O que antes necessitava de destreza para ir de um ponto a outro em uma tela hoje é feito pelos dedos, instintivamente. É complicado manter um cérebro atento e crítico navegando neste mundo de informação que não para de transbordar em rios de leds, oleds e pixels em geral. São mais pixels quadrados do que neurônios, que por anos de vida boa, estão ai, prontos para serem consumidos por diversos tipos de entorpecentes. E não me excluo desta.
Mas tenho exercitado muito não oferecer minha opinião bem como resguardo minha bunda. A questão, agora, é exercitar mesmo. Pensar em formas de expressão onde não são necessárias metáforas simplórias, apenas o que realmente sai dos dedos e como mágica viram pixels e passam a fazer sentido apenas pensando, e não esperando que a cognição venha instantaneamente, pois conclusões são muito perigosas quando não existe margem de interpretação.
A verdadeira preguiça a respeito, de criticar sem pensar, é que em muitos casos, não adianta pensar. Nem todos foram instruídos para tal, mas todos, até os sem instrução formal, acadêmica ou exotérica, foram condicionados a acreditar que se foi assinado, a responsabilidade por repassar a opinião não lhe pertence, fato este que me tortura diariamente tendo em vista a facilidade com que hoje as informações trafegam por todos os lados. Prevejo até que em breve será necessário fazer propaganda (no sentido marketeiro) para que informações com menos de 140 toques em um teclado, ou tela, ou pensamento, tenham maior relevância que as similares… ei espere!
E por mais que as ideias, conceitos, artigos e matérias tenham sofrido nas mãos dos que os assim gabaritados para tal divulgam numa rapidez nunca antes vista neste dia, é necessário parar um minuto que seja e pensar até que ponto a propagação vale a pena. Pois vou te dizer, não muda nada na minha vida o conhecimento de certos hábitos ou passeios corriqueiros de celebridades, que possuem maior destaque do que a poesia. Poesia está, nunca sozinha, muito importante para combater o analfabetismo funcional em todos os níveis. Mas há quem se importe com ela, e não me cabe julgar se a pessoa está certa ou errada em seus meios, ainda mais que hoje, é a inimiga nº1 de quem está vivendo o avatar adoidado.